O advogado e ex-senador Luis Lacalle Pou, de 46 anos, toma posse como presidente do Uruguai neste domingo (1º). O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, anunciou que participará da cerimônia em Montevidéu.
A posse de Lacalle Pou marca o fim de 15 anos consecutivos de governo da coalizão esquerdista Frente Ampla e simboliza o retorno do Partido Nacional, de centro-direita, ao poder. O último representante da sigla a ocupar o cargo foi justamente o pai do atual presidente, Luis Alberto Lacalle, entre 1990 e 1995.
Lacalle Pou venceu o governista Daniel Martínez em disputa acirrada no segundo turno, decidida voto a voto. Somente quatro dias depois da votação, o candidato da Frente Ampla reconheceu a derrota.
O novo presidente apostou em um discurso de enxugamento de gastos públicos e prometeu fortalecer as forças de segurança em um momento no qual o Uruguai passa por aumento nos índices de criminalidade.
Lacalle Pou receberá o cargo de Tabaré Vázquez, que ocupou dois mandatos na Presidência: um entre 2005 e 2010 e o outro entre 2015 e 2020. Como não há reeleição consecutiva no Uruguai, ele intercalou o cargo entre 2010 e 2015 com outro integrante da Frente Ampla, José Pepe Mujica, eleito senador nestas eleições.
Meses antes das eleições, Vázquez foi diagnosticado com um câncer de pulmão. O então presidente declarou que desejava “por a faixa presidencial” no sucessor — o que deve, enfim, ocorrer neste domingo. Em dezembro, boletim médico mostrou que Vázquez “não apresenta mais sinais” do câncer que sofria.
Relação com o Brasil
De acordo com o secretário de Negociações Bilaterais e Regionais nas Américas do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Pedro Miguel da Costa e Silva, a posse de Lacalle Pou inaugura uma nova era nas relações diplomáticas entre Brasil e Uruguai.
“Essa visita, além do caráter protocolar, tem um simbolismo que inaugura, inicia uma nova etapa da relação com o Uruguai”, afirmou Costa e Silva durante apresentação no Palácio do Itamaraty.
“Ficou claro, com o contato dos presidentes e durante a visita do futuro chanceler a Brasília, uma grande sintonia. Não só na agenda bilateral, como na agenda regional”, completou.
O secretário disse ainda que a expectativa do governo brasileiro é que o novo presidente realize uma mudança na postura internacional do Uruguai em temas políticos da América do Sul, como a crise da Venezuela. Até então, o governo uruguaio não vinha adotando o mesmo tom crítico que o Brasil em relação à gestão do presidente venezuelano Nicolás Maduro.
Crédito imagem: Mariana Greif/Reuters
News Paraíba com G1
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