Em desdobramento da Operação E$quema S, o Ministério Público Federal (MPF) denunciou, nesta sexta-feira (25), o ex-presidente do Sesc Rio de Janeiro, Orlando Diniz; o empresário Marcelo Cazzo e os advogados Luiza Nagib Eluf, Marcia Carina Castelo Branco Zampiron e Frederick Wassef.

Segundo o MPF, eles são acusados de peculato e lavagem de dinheiro, cometidos a partir do desvio de R$ 4,6 milhões das seções fluminenses do Serviço Social do Comércio (Sesc), do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) e da Federação do Comércio (Fecomércio). Até o momento, o Congresso em Foco não conseguiu localizar as defesas dos denunciados.

Em nota, Wassef diz que estão criminalizando a advocacia no Brasil. “Eu não tenho e nunca tive qualquer relação comercial com a FECOMERCIO, não fui contratado por eles, não recebi um único centavo desta entidade e jamais negociei com eles”.

O advogado diz ainda que foi contratado e prestou serviços advocatícios a um renomado escritório de advocacia criminal de São Paulo, “em que a dona é uma famosa procuradora do Ministério Público de São Paulo, conhecida por ter dedicado toda sua vida e carreira a instituição Ministério Público e o combate ao crime, tratando-se de pessoa pública, íntegra, proba e de idoneidade inquestionável”.

Frederick Wassef já representou o presidente Jair Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ). Segundo a denúncia, Wassef recebeu R$ 4,5 milhões por meio do escritório de Luiza Eluf. O ex-advogado de Bolsonaro foi contratado para atuar como uma espécie de informante de Orlando Diniz e lidar com escrivães de polícia.

Segundo o Congresso em Foco, Wassef se aproximou de Bolsonaro em 2014, após o atual presidente ter sido reeleito para deputado federal. Nas eleições de 2018, o advogado passou a ser um homem de confiança de Bolsonaro e dos filhos e participou dos bastidores da campanha presidencial e continuou em contato permanente com a família.

Wassef é dono da casa em Atibaia-SP onde, em junho, foi preso o policial militar aposentado Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro que é investigado no caso das rachadinhas, um suposto esquema de desvio de salários de funcionários da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro quando Flávio Bolsonaro era deputado estadual. Após Queiroz ser encontrado pelas autoridades judiciais na casa de Wassef, o advogado deixou o caso de Flávio Bolsonaro.

Confira a nota de Wassef na íntegra:

Estão criminalizando a advocacia no Brasil. Eu não tenho e nunca tive qualquer relação comercial com a FECOMERCIO, não fui contratado por eles, não recebi um único centavo desta entidade e jamais negociei com eles.

Fui contratado e prestei serviços advocatícios a um renomado escritório de advocacia criminal de São Paulo, em que a dona é uma famosa procuradora do Ministério Público de São Paulo, conhecida por ter dedicado toda sua vida e carreira a instituição Ministério Público e o combate ao crime, tratando-se de pessoa pública, íntegra, proba e de idoneidade inquestionável.

Os serviços advocatícios foram devidamente prestados, os honorários foram declarados à receita federal e os impostos pagos.

Após dois anos de investigação da FECOMERCIO, jamais fui intimado ou convocado por qualquer autoridade a prestar qualquer esclarecimento. Desde o início da referida operação “esquema” não fui investigado e ao final não fui denunciado, pois sempre souberam que jamais participei de qualquer esquema.

Estranhamente após a denúncia de todos os advogados citados na referida operação sofri uma busca e apreensão em que nada foi apreendido por não terem encontrado qualquer irregularidade e mais estranhamente ainda resolveram oferecer uma denúncia relâmpago, isolada, baseada em absolutamente nada contra minha pessoa.

A denúncia do Ministério Público Federal é inepta e não descreve qualquer conduta praticada por mim ou mesmo qualquer crime, tendo se limitado a narrar simplesmente pagamentos de honorários advocatícios por serviços devidamente prestados, inovando no Brasil, transformando o regular exercício da advocacia em crime, de forma irresponsável e sem medir as consequências de dano de imagem e reputação a minha pessoa.

Nunca em minha vida respondi a qualquer processo ou fui investigado, sempre tive um nome limpo e sequer em 28 anos de advocacia tive uma única representação em meu desfavor perante a Ordem dos Advogados do Brasil.

Foto: Reprodução Google.

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