“Se Bolsonaro errar no MEC, dará dez passos para trás”. A constatação é de um importante cacique partidário do centrão, aliado do Planalto e que espera, como muitos outros integrantes da ala moderada do governo, a escolha de um nome técnico para afastar o Ministério da Educação do barulho dos seguidores de Olavo de Carvalho.

A escolha do novo ministro da Educação virou uma espécie de fronteira na construção do perfil moderado de Bolsonaro. Se voltar aos tempos de Abraham Weintraub, o presidente colocará todo o movimento das últimas semanas a perder, dando “dez passos para trás” na correção de rumos do governo. Se retirar os radicais da pasta, dando condução técnica ao setor, sinalizará de forma concreta que algo mudou no Planalto.

A Educação poderá, enfim, começar a pensar num plano concreto de retomada do currículo escolar no pós-pandemia, em programas reais de reestruturação de escolas, de formação de professores, além de suporte para o avanço de pesquisas.

Segundo a Veja, dentro do governo, a avaliação é de que Bolsonaro devota muita atenção aos radicais, uma ala desorganizada, visível só nas redes sociais e que nada tem a produzir em benefício do governo. “A coisa melhora muito se essa gente for ignorada nas decisões importantes pelo presidente”, admite um auxiliar palaciano.

“Não há como os malucos do Olavo romperem com Bolsonaro e criarem um PSTU ou um PSOL da direita. Eles não conseguem organizar uma vaquinha para livrar Olavo da falência, imagina formar um partido nas atuais regras. Estão fadados a seguir Bolsonaro, com ou sem influência, para aproveitar os cargos na máquina”, analisa outro importante aliado do presidente.

Um importante ministro do governo afirma que os nomes para o MEC, antes fortes cotados na semana passada, voltaram ao mesmo patamar de construção de apoios. Apenas uma coisa era certa neste domingo, segundo este ministro: “Não será um nome da ala olavista e nem do Weintraub. Isso está sacramentado.”

Foto: Marcos Oliveira.

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