Cúpula da PGR nega que mudança na Lava Jato seja por divergências

O pedido de demissão do coordenador da Lava Jato, Adonis Callou, nesta quinta-feira (23), não foi motivado por divergências com o procurador-geral da República, Augusto Aras, disseram fontes da cúpula do Ministério Público Federal ao R7 Planalto. Callou foi convidado pelo próprio Aras para o cargo.

De acordo com as fontes, há dentro do MPF uma tentativa de desgastar a gestão de Aras e as informações de que havia divergências entre Callou e o PGR teriam sido plantadas com esse objetivo.

Augusto Aras foi escolhido por Bolsonaro fora da lista tríplice, feita por votação interna pela  ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República). Quando Aras corria por fora para a vaga de PGR, dizia que não tinha disputado a lista por discordar dela. Para ele, em entrevistas à época, uma lista feita pela categoria leva ao fisiologismo, ao “toma lá, dá cá” dentro da instituição, o que prejudica os trabalhos do Ministério Público.

Segundo o R7, a gestão de Aras tem sido bem vista pela ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República), entidade de classe que promove a lista tríplice e por integrantes da força-tarefa da Lava Jato, que se manifestaram ontem na rede interna do MPF mostrando coesão do grupo. 

Os ataques estariam partindo dos “derrotados” na escolha do PGR, e estariam acontecendo desde o dia 17 para travar a nova gestão. Já era esperado que a escolha de um PGR fora da lista tríplice causasse algum desgaste dentro do MPF já que grande parte dos procuradores se mobiliza desde 2001 pela lista. Na época da eleição, as forças-tarefas das principais operações, incluindo a Lava Jato, emitiram nota defendendo a lista tríplice.

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